O Onçafari anunciou a aquisição de sua primeira área própria na Mata Atlântica, em junho! Localizada em Capanema (PR), às margens do rio Iguaçu, a nova base de 12 hectares representa um marco na expansão da atuação da organização para um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta.
O Onçafari já atua no bioma desde 2020, por meio de bases parceiras, com ações de monitoramento de fauna. A nova área amplia essa presença, permitindo a atuação direta em um território estratégico para a conectividade da Mata Atlântica.
O anúncio foi realizado durante a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade (UCBIO) 2026, em Curitiba, e marca um novo passo na estratégia de conservação em escala.
- Créditos imagem: Arquivo Onçafari
- Créditos imagem: Arquivo Onçafari
- Créditos imagem: Fran Acamer
A área está inserida no corredor entre o Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e o Parque Nacional Iguazú, na Argentina. Juntos, os dois parques formam um mosaico contínuo de Mata Atlântica transfronteiriça, considerado um dos últimos grandes remanescentes do bioma em bom estado de conservação.
Apesar da proteção formal das unidades de conservação, a região ao redor dos parques sofreu intensa fragmentação ao longo do último século. Estradas, áreas agrícolas e ocupação humana transformaram a paisagem em uma matriz fragmentada, dificultando o deslocamento da fauna e isolando populações silvestres.
É por isso que a nova base se insere como um ponto estratégico dentro de um dos gargalos mais sensíveis do corredor ecológico binacional do Iguaçu.
A iniciativa se conecta diretamente à Jaguar Rivers Initiative, um esforço internacional liderado por organizações do Brasil (Onçafari), Argentina (Rewilding), Bolívia (Nativa) e Paraguai (Fundação Moisés Bertoni) para reconectar ecossistemas ao longo da Bacia do Paraná. A proposta é criar um corredor ecológico continental, integrando áreas protegidas, reservas privadas, rios e paisagens em um território de aproximadamente 2,5 milhões de km².
A Jaguar Rivers parte de uma premissa que a conservação não depende apenas da criação de áreas protegidas, mas da conexão entre elas. Nesse sistema, diferentes pilares cumprem papéis complementares, como as arcas, grandes núcleos de biodiversidade; paisagens integradas, paisagens vivas ao redor das arcas; trampolins ecológicos, pontos intermediários que conectam os habitats; e os rios, corredores naturais que permitem o fluxo da vida.
Entre eles, a onça-pintada ocupa um papel central. Como predadora de topo, ela indica a integridade dos ecossistemas e revela a existência de cadeias ecológicas completas. Onde há onça, há floresta funcional, presas, água e equilíbrio ecológico.
- Créditos imagem: Carol Prange
- Créditos imagem: Leonardo Sartorello
- Créditos imagem: Fran Acamer
A estratégia do Onçafari desde 2019
Essa visão não é recente na atuação do Onçafari. Desde 2019, por meio da Frente Florestas, a organização vem adquirindo e protegendo áreas estratégicas com o objetivo de fortalecer corredores ecológicos no Brasil. Mais do que proteger espécies, a estratégia busca manter paisagens equilibradas.
Hoje, o Onçafari mantém bases próprias no Pantanal e na Amazônia, somando mais de 125 mil hectares protegidos. Essas áreas funcionam como uma rede de conectividade que visa formar um corredor ecológico entre esses dois biomas.
A nova reserva no rio Iguaçu, além de representar uma expansão de bases do Onçafari, fortalece a estratégia de conservação baseada em conectividade. Por meio da Jaguar Rivers Initiative, e em conjunto com parceiros internacionais, a iniciativa busca atuar sem fronteiras, reconectando paisagens entre países.
Ao integrar áreas protegidas, paisagens privadas e corredores naturais, a Jaguar Rivers Initiative amplia uma abordagem de conservação que considera a paisagem como um sistema contínuo, onde diferentes territórios desempenham papéis complementares.






