No dia 20/03/2026, foi publicada no Diário Oficial a aprovação do Plano de Manejo da RPPN Pata da Onça pelo IMASUL. Localizada dentro da Reserva Santa Sofia, no Pantanal, a área conta com 34.000 hectares. Mas, afinal, o que isso significa?
Este projeto foi liderado pelo Onçafari, executado pela Restaura consultoria e financiado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), contou tanto com uma robusta pesquisa bibliográfica e análises de dados espaciais, como também incluiu processos de consultas participativas à comunidade circundante e viagens à campo. No Dia Internacional das Florestas e da Árvore, é sobre o campo que queremos contar. Florestas estas que precisam e podem ser protegidas de diversas maneiras, seja pelo governo (federal, estadual ou municipal) ou pelo proprietário da área, garantindo a perpetuidade da área.
A sigla RPPN significa Reserva Particular do Patrimônio Natural, ou seja, é uma área protegida privada, onde os donos da área se comprometem a conservá-la e a fazer sua gestão para sempre. E, para ajudar nesta gestão, é feito um documento chamado Plano de Manejo, um arquivo técnico orientativo do que se tem na área, suas características físicas (tipo de solo, clima, hidrografia) e biológicas (como quais espécies de plantas e animais são encontrados na região). A partir das idas à campo, conhecimento espacial da área e diálogo com partes interessadas é definido o zoneamento do local, o que é permitido ou não em cada área e, por fim, o planejamento da unidade. Esse documento é construído pelo proprietário e a consultoria e, para ter validade legal, deve ser aprovado pelo órgão ambiental competente neste caso, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL) e publicado em Diário Oficial.
Para executar esse trabalho na RPPN Pata da Onça, foram feitas 3 viagens de coleta de informações primárias, em épocas do ano diferentes, considerando as características do Pantanal, de cheia, vazante e seca. Além disso, também fizemos viagens para coleta de dados sociais e para análise de água.
Para realizar esse trabalho, foi necessária uma equipe técnica composta por 10 mulheres e um homem, da Restaura, e a equipe do Onçafari, composta por quatro homens para o suporte com conhecimento local e apoio logístico. Viajamos por água e por terra, em barco, balsa, carro, caminhão e quadriciclo, cada campanha apresentava uma nova emoção, encontro com animais raros e até a esperança de uma possível espécie nova. O encontro mais esperado chegou à espreita, uma onça-pintada apareceu para fiscalizar o nosso trabalho (mais de uma vez), muito calma olhou pra nós, tomou sua água tranquilamente, virou de costas e deu uma olhadinha pra trás (diria que até uma piscadinha), nos mostrando que hoje é ela que manda neste lugar.
Ter o privilégio de poder ver um animal como esse em seu habitat natural só acontece pois nesta região ainda temos seu ambiente preservado. Os hectares conservados, as florestas e áreas de vegetação nativas, proporcionam encontros únicos e emocionantes e esse é o principal papel das áreas protegidas, manter hábitat de qualidade para que os mais diversos tipos de animais e plantas possam viver. Por isso, iniciativas como a do Onçafari, de manter e gerir áreas protegidas privadas, são tão importantes e servem de inspiração para que outros proprietários conservem suas áreas.
O Plano de Manejo é o instrumento que mostra o que/como se deve fazer as atividades dentro da RPPN nos próximos cinco anos, mas a implementação dessas atividades é o que realmente importa. O trabalho já começou, mas ele se intensificará a partir de agora. Ficamos felizes por fazer parte desta história e nossa equipe está ansiosa para ver os resultados da implementação desse Plano.
Que, assim como a onça-pintada do começo desse texto, o Onçafari siga deixando sua marca na vida destes animais e garantindo a conservação dos habitats para muitos outros, para sempre.
Texto: Paula Isla Martins, fundadora e diretora estratégica da Restaura.




