Algumas histórias começam com um lugar. Outras começam com um encontro. A do Onçafari começa com ambos, e tem como protagonista um dos animais mais emblemáticos das Américas: a onça-pintada.

Hoje, prestes a completar 15 anos de trajetória, o Onçafari carrega uma história que nasceu a partir da admiração por esse grande felino e que, com o tempo, se expandiu para algo maior. Porque a onça-pintada, mais do que um símbolo, revela uma verdade essencial sobre a natureza: onde ela vive, existe um ecossistema inteiro em equilíbrio.

Como tudo começou

Essa história começa muito antes de 2011. Ainda jovem, durante uma viagem em família à Tanzânia, Mario Haberfeld teve seu primeiro contato com a vida selvagem. A experiência de observar animais livres em seu ambiente natural despertou uma conexão profunda com a natureza e com a ideia de que conservação e turismo poderiam caminhar juntos. Foi ao voltar o olhar para o próprio país que essa inspiração encontrou um novo sentido.

No Pantanal, na região de Miranda, no Mato Grosso do Sul, surgiu a oportunidade de desenvolver uma ideia inspirada nos safáris africanos, mas adaptada à realidade brasileira. A proposta era simples e, ao mesmo tempo, ousada: mostrar que a conservação da fauna poderia caminhar lado a lado com o turismo responsável.

E assim nasceu o Onçafari, em 2011.

O trabalho começou com o ecoturismo e com um desafio pouco explorado no Brasil até então: tornar possível a observação de onças-pintadas em vida livre. Para isso, a equipe passou a desenvolver um processo de habituação, no qual as onças-pintadas se acostumam gradualmente à presença dos veículos de safári sem que isso altere seu comportamento natural.

“Queríamos mostrar que a onça vale mais viva do que morta através do ecoturismo, essa é a razão do Onçafari ter sido criado”, diz Mario Haberfeld, CEO do Onçafari

Com o passar do tempo, a presença das onças deixou de ser apenas um acontecimento raro e passou a fazer parte da experiência de quem visitava a região.

A equipe do Onçafari também passou a observar que a presença desses animais está diretamente ligada à saúde dos ambientes onde vivem. Para que uma onça exista, é preciso que existam presas, florestas preservadas, rios funcionando e paisagens capazes de sustentar uma cadeia ecológica complexa.

Aos poucos, ficou claro que proteger a onça-pintada significava proteger todo um ecossistema.

O que começou com a observação de um grande felino evoluiu para atividades de pesquisa científica, monitoramento de fauna e iniciativas de conservação em diferentes biomas brasileiros. Novas frentes de atuação foram surgindo, incluindo processos de reintrodução de espécies, formação de brigadas de combate a incêndios e ações voltadas à proteção de paisagens naturais.

No início, a onça-pintada era protagonista. Hoje, ela também é mensageira de uma história mais ampla, em que florestas, rios e os biomas brasileiros formam o universo onde tudo acontece. A onça se torna símbolo da conexão entre fauna, flora e pessoas, enquanto o olhar do Onçafari se amplia para incluir a criação de corredores ecológicos, capazes de garantir que a biodiversidade encontre áreas protegidas e conectadas para prosperar.

Créditos: Rafael del Prete

Em 2026, o Onçafari completa 15 anos de dedicação à conservação da biodiversidade e dos biomas brasileiros. Guiado pela mesma ideia que deu origem, o Onçafari segue tendo a onça-pintada como sua grande embaixadora, despertando curiosidade, fascínio e conexão com a natureza, mas também lembrando algo fundamental: conservar uma espécie significa cuidar de todo o sistema que a sustenta.

Onde há onça, há vida em equilíbrio.