O Onçafari participa da iniciativa “Por onde andam os felinos?”, um projeto promovido pelo Observatório da Biodiversidade, uma iniciativa do Instituto humanize. O projeto busca ampliar o acesso a informações sobre registros de felinos silvestres no Brasil, reunindo dados que hoje estão frequentemente dispersos, restritos ou pouco acessíveis.
Os primeiros bancos de dados do Onçafari publicados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) reúnem registros do monitoramento de fauna realizado em duas áreas em que o Onçafari atua. É o primeiro passo para tornar a ciência sobre a biodiversidade brasileira aberta, ampliando o acesso aos dados que o Onçafari produz em campo.
“Para o Onçafari, o projeto ‘Por onde andam os felinos?’ foi a oportunidade ideal de nos somarmos a uma iniciativa global de disponibilização pública dos dados científicos. Publicar nosso primeiro banco de dados no SiBBr nos coloca no radar de outras instituições que queiram e possam utilizar esses dados para fins científicos e conservacionistas.”
– Marcella Pônzio, Coordenadora Científica do Onçafari
O SiBBr funciona como uma espécie de grande acervo público da biodiversidade nacional, coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/UNEP). Ele é o braço brasileiro do GBIF (Global Biodiversity Information Facility), a rede que conecta dados de biodiversidade de cerca de 60 países, e reúne informações de instituições brasileiras, como universidades, museus, jardins botânicos, órgãos públicos e ONGs. Portanto, um dado publicado na plataforma não fica isolado dentro do Onçafari ou no Brasil: passa a estar disponível também para quem pesquisa fora do país.
O que é ciência aberta e por que ela importa para a conservação
Ao longo dos anos, organizações de conservação acumulam um grande volume de informação do trabalho em campo sobre os felinos, como localização, comportamentos, registros de armadilhas fotográficas, dados de colares GPS, entre outros. Mas boa parte dessa informação nunca chega a ser sistematizada de forma padronizada e aberta, limitando seu uso.
Ciência aberta sobre biodiversidade é uma forma de multiplicar o valor de um dado. O registro publicado pode ser usado por outros pesquisadores para entender a distribuição de uma espécie, planejar uma área protegida ou para uma pesquisa acadêmica.
“A publicação aberta dos dados de pesquisa deixa de beneficiar apenas um único projeto e passa a integrar um patrimônio coletivo, fornecendo evidências para decisões de conservação e de políticas públicas.”
– Marcos Brito, Analista Científico do Onçafari
Dois biomas, dois bancos de dados públicos
Esse trabalho resultou na publicação de dois conjuntos de dados do Onçafari no SiBBr: um com registros do monitoramento de fauna no Parque Nacional do Itatiaia, na Mata Atlântica, e outro na região da Caiman Pantanal.
Embora ambos tenham sido produzidos a partir do trabalho de campo, os bancos são diferentes. No Itatiaia, os dados publicados apresentam uma lista das 28 espécies de mamíferos terrestres de médio e grande porte registradas durante o monitoramento. Entre elas, estão cinco felinos: gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), jaguatirica (Leopardus pardalis), gato-maracajá (Leopardus wiedii) e onça-parda (Puma concolor). Já na Caiman, o conjunto de dados é referente à 2.012 registros de felinos, distribuídos entre quatro espécies: gato-mourisco, jaguatirica, onça-pintada (Panthera onca) e onça-parda.
O objetivo do Onçafari é disponibilizar essas informações para a comunidade científica, permitindo que outros pesquisadores cruzem esses dados com diferentes informações e desenvolvam novas análises e perguntas sobre os felinos e a biodiversidade brasileira.
Iniciativas como essa reforçam o compromisso do Onçafari em unir conservação de campo, ciência e transparência. Ao tornar públicos dados sobre onde e como os felinos brasileiros vivem, o Onçafari contribui para a pesquisa acadêmica como também para políticas públicas de conservação.
Os dados do Parque Nacional do Itatiaia e da Caiman Pantanal já estão disponíveis no SiBBr, junto aos demais materiais do projeto “Por onde andam os felinos?”. Para acessar, clique aqui.