Conservar a biodiversidade requer decisões estratégicas. Cada vez mais, além da proteção de áreas naturais, é preciso criar caminhos que assegurem a conexão entre elas.

Nos últimos anos, o Onçafari tem ampliado sua atuação territorial com a aquisição e gestão de áreas estratégicas para a biodiversidade. Atualmente, são mais de 125 mil hectares protegidos em reservas próprias distribuídas em diferentes biomas que funcionam como pontos-chave da biodiversidade. Essas áreas funcionam como pontos-chave para a conservação da fauna e da flora, mas não atuam de forma isolada. Elas fazem parte de uma estratégia contínua de conectividade ecológica, para manter a paisagem funcional e permitir que os animais se desloquem, se reproduzam e mantenham o equilíbrio dos ecossistemas.

fragmentação dos habitats, um dos maiores desafios ambientais do Brasil

Mesmo abrigando uma das maiores biodiversidades do planeta, o Brasil enfrenta uma perda significativa de áreas naturais. Dados do MapBiomas mostram que o país perdeu cerca de 111,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2023, o equivalente a aproximadamente 13% do território nacional.

Esse processo de fragmentação de habitats reduz a continuidade das paisagens naturais e impacta diretamente o fluxo da fauna, o funcionamento dos ecossistemas e a capacidade de regeneração da natureza.

O papel das Unidades de Conservação na proteção da biodiversidade

As Unidades de Conservação (UCs) são o principal instrumento do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e estruturam a política de proteção da biodiversidade no país.

Atualmente, o Brasil possui mais de três mil UCs, entre parques nacionais, reservas biológicas, estações ecológicas e outras categorias de proteção ambiental e uso permitido. Elas garantem a conservação de ecossistemas e espécies e também sustentam serviços ambientais essenciais como regulação do clima, disponibilidade de água e manutenção da biodiversidade.

Apesar da importância das UCs, muitas ainda funcionam como ilhas isoladas em meio a territórios alterados, o que limita a circulação das espécies e enfraquece a dinâmica ecológica ao longo do tempo.

Corredores ecológicos: conectar para conservar

É nesse contexto que ganha força uma nova estratégia de conservação: a criação de corredores ecológicos.

A Jaguar Rivers Initiative (JRI) é uma iniciativa internacional que atua na construção de corredores ecológicos ao longo da Bacia do Paraná, conectando áreas naturais no Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai.

Com uma área de atuação que se aproxima de 2,5 milhões de km², a JRI parte de uma abordagem prática para enfrentar a fragmentação da paisagem. Em vez de depender exclusivamente de grandes áreas contínuas de vegetação, a iniciativa estrutura um sistema de conexões a partir de diferentes territórios (incluindo Unidades de Conservação, reservas privadas e áreas em restauração) criando uma rede funcional para a biodiversidade.

Stepping stones na conservação ambiental

Um dos conceitos centrais dessa estratégia é o de “stepping stones”, também conhecidos como trampolins ecológicos. Na prática, são áreas intermediárias que reduzem a distância entre fragmentos de habitat. Em regiões onde esses espaços podem estar separados por mais de 150 quilômetros, esses pontos de apoio tornam possível o deslocamento seguro da fauna e ajudam a reconstruir a conectividade da paisagem.

Créditos: Adam Moore

A atuação do Onçafari nos corredores ecológicos

A atuação do Onçafari dentro dessa lógica inclui tanto a gestão de áreas próprias quanto a articulação com parceiros públicos e privados.

Um exemplo é a Reserva Santa Sofia, no Pantanal, que integra um corredor ecológico privado de mais de 400 mil hectares. Mais recentemente, a aquisição da primeira reserva própria na Mata Atlântica do Onçafari, no Paraná, marca a expansão dessa estratégia de conservação integrada.

A discussão sobre esse novo modelo de conservação estará no centro da Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade (UCBIO), que acontece entre os dias 7 e 9 de junho, em Curitiba.

O evento reúne especialistas, organizações e gestores públicos para debater caminhos mais integrados para a conservação da biodiversidade no país.

Durante a programação, o Onçafari irá apresentar sua experiência em campo e conectar essa trajetória a iniciativas como a Jaguar Rivers Initiative, reforçando um ponto central: conservar, hoje, não é apenas proteger áreas isoladas, mas garantir que elas estejam conectadas e funcionem em conjunto.