No último mês, uma história de sucesso com onças-pintadas encantou o Brasil inteiro! A reportagem exibida no Fantástico, contando a história das onças Pandhora e Vivara, que retomaram sua liberdade e puderam viver a vida selvagem novamente na Amazônia, mostrou não só o complexo trabalho realizado por nós com apoio de nossos parceiros, mas confirmou que a interferência do ser humano, quando feita do jeito certo, também pode ser muito positiva para a biodiversidade.  

PRIMEIROS ANOS DE VIDA 

Nascidas na floresta há quase 3 anos, as irmãs Pandhora e Vivara perderam a mãe, provavelmente para caçadores, quando tinham apenas uma semana de vida. As onças costumam aprender todos os recursos para sobreviver na natureza com suas mães, durante os dois primeiros anos de vida. As onças foram entregues às autoridades ambientais locais (CENAP-ICMBio) e então, por não conseguirem se manter sozinhas, as oncinhas foram levadas para Brasília, onde cresceram em cativeiro (NEX No Extinction). Viviam cercadas por biólogos, veterinários e recebiam todo o amparo necessário para sua sobrevivência.

Foto: Adriano Gambarini

DE VOLTA PARA A AMAZÔNIA 

Para que o processo de reintrodução acontecesse, construímos um recinto-escola no meio da Amazônia, uma área com 10.000 m² em uma área remota da floresta, próximo à nossa base na Pousada Thaimaçu. 

No ano passado, com o recinto já pronto e as onças, já maiores, elas foram levadas de volta para a Amazônia, com o auxílio da FAB (Força Aérea Brasileira), para dar início ao processo de reintrodução. A megaoperação envolveu dezenas de profissionais e equipamentos de última geração, tudo para que o processo ocorresse da melhor forma possível. 

Já em seu bioma natal, os animais foram soltos no recinto, onde recebiam um “treinamento” para que pudessem se adaptar novamente ao modo de vida selvagem. Com o mínimo de contato humano possível, as onças reaprenderam alguns comportamentos naturais e voltaram a seguir seus instintos.

Vivara já no recinto na Amazônia.

A TÃO ESPERADA SOLTURA 

A maior parte das onças-pintadas selvagens encontram-se na Amazônia brasileira. Por isso, o local seria perfeito para a soltura das irmãs que, teoricamente, já sabiam ser selvagens e poderiam reproduzir novamente, propagando a espécie. A reprodução, inclusive, é a mensuração de sucesso da operação a longo prazo.

Antes de serem soltas, as irmãs receberam rádio colares e passaram por um check-up completo, envolvendo todos os exames necessários para assegurar a boa saúde dos animais. 

O lugar escolhido para devolver a liberdade às onças foi a Serra do Cachimbo, local que fica na fronteira entre o Pará e o Mato Grosso. A viagem de barco até o melhor ponto para soltura durou 1 hora, pelas margens do Rio São Benedito. 

Já em terra firme, as gaiolas foram viradas para a floresta e, por meio de uma estrutura feita com galhos e fios, enfim abrimos as gaiolas! 

COMO AS ONÇAS REAGIRAM? 

Num primeiro momento, Pandhora e Vivara se sentiram intimidadas e não se afastaram muito da beira do rio. Mas, por meio do monitoramento, já observamos que as irmãs ganharam confiança e, ao longo dos dias, já percorreram 240 km floresta a dentro! 

As 2 irmãs percorreram uma grande área em busca de estabelecer seu novo território. (Arte: Globo)

Após algum tempo, umas das irmãs foi até flagrada por turistas que passavam pela região, vivendo em seu habitat com a maior naturalidade. 

Vivara avistada por turistas na Pousada Thaimaçu.

 

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