Vereda, a nova fêmea de lobo-guará monitorada pelo Onçafari na Pousada Trijunção – Foto: Fábio Paschoal

*Por Fábio Paschoal

O sol já havia se escondido no horizonte quando um barulho chamou nossa atenção: era o aulido de um lobo-guará. O receptor do rádio-colar confirmou que era Diadorim, um dos animais monitorados pelo Onçafari na Pousada Trijunção, localizada no Cerrado, no encontro dos estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Estávamos no meio da campanha de captura e a prioridade era achar um lobo sem colar para iniciar o processo de habituação. Mas Valquíria Cabral (Val) e Wellyngton Ayala, biólogos do projeto, disseram que o animal estava tão perto que valia a pena tentar rastreá-lo.

Entramos na caminhonete e saímos em busca do lobo. Val iluminava o caminho enquanto Wellyngton checava o sinal do rádio-colar com a telemetria. Todos observavam atentamente, com a esperança de ver o brilho nos olhos de Diadorim. Porém, a grama alta deixava o animal camuflado, dificultava a aproximação e frustrava as nossas expectativas.

Diadorim, lobo-guará monitorado pelo Onçafari na Pousada Trijunção – Foto: Fábio Paschoal

Mas Val conhecia aquele lobo como ninguém. Ela analisou as possíveis rotas e fez uma previsão: “Ele vai lá pra casa [a base do Onçafari]”. Seguimos na estrada. A tensão crescia a medida que nos aproximávamos de nosso destino na mesma proporção da esperança de ver o maior canídeo da América do Sul em seu habitat natural.

Quando chegamos na base, tivemos uma surpresa: Diadorim estava acompanhado por um animal sem colar! No mesmo instante, Val apagou a luz e disse “Desliga o carro!”. Havia uma armadilha ao lado do casal e existia a possibilidade de um dos dois ser capturado.

A única coisa visível era o escuro e só se ouvia o som do silêncio. Ficamos ali, imóveis, sem saber o que viria pela frente, mas com a certeza de que algo extraordinário estava prestes a acontecer. De repente: “Bam!” A porta da armadilha fechou! A torcida de todos era para que a companheira de Diadorim estivesse dentro da gaiola, mas como não era possível ver a armadilha de onde estávamos, Val desceu do carro para checar. Ela voltou com um sorriso no rosto e disse: “sem colar!”. Nesse momento, a alegria tomou conta de tudo e todo mundo começou a se abraçar.

Wellyngton (à esquerda) e Valquíria (no centro) coletam dados do lobo-guará, enquanto Joares (à direita) monitora a saúde do animal – Foto: Fábio Paschoal

Joares May (mais conhecido como Vet), médico veterinário do Onçafari, assumiu a liderança. Ele aplicou a anestesia, tirou o animal da gaiola e começou a coleta de dados, colocação de colar e todos os exames necessários para verificar a saúde do bicho. Com auxílio dos biólogos do projeto (Val, Wellyngton e Eduardo Fragoso), o Vet terminou todos os procedimentos rapidamente e recolocou a loba na gaiola para que ela se recuperasse da anestesia em segurança.

No dia seguinte, a equipe posicionou as câmeras para pegar o momento da abertura da gaiola. Vet verificou que o animal estava em boas condições para ser liberado e deu sinal verde para Val tirar a porta da armadilha. No momento em que a loba saiu da jaula, agarrou uma das câmeras e filmou sua volta à liberdade, já com seu nome de batismo e como a mais nova integrante do Onçafari. Seja bem vinda à equipe, Vereda!

Vídeo: Vereda

*Fabio Paschoal é biólogo, jornalista e guia de ecoturismo. Foi editor e repórter de National Geographic Brasil por 5 anos e hoje é produtor de conteúdo do Onçafari e da GreenBond

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