A onça-pintada (Panthera onca) é classificada como quase ameaçada pela IUCN, mas a perda de habitat, caça ilegal, tráfico de animais (principalmente para abastecer o mercado asiático com partes de onças) e conflitos com fazendeiros que querem proteger seus rebanhos, pode mudar o status da espécie – Foto: Peter Hopper/ Creative Commons

*Por Fábio Paschoal

Após o dia 29 de novembro ser reconhecido como o Dia Nacional da Onça-Pintada e de ser considerada como símbolo da conservação da biodiversidade no Brasil, a Panthera onca pode se tornar a espécie símbolo das Américas.

Com a justificativa de que o comércio ilegal e a caça furtiva aumentaram nos últimos anos devido à crescente demanda por partes de onça-pintada no mercado asiático, somado à ameaça constante da perda de habitat, o Peru, juntamente com Brasil, Bolívia e Equador, apresentou um projeto à Cites (Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, na sigla em inglês) com as seguintes propostas:

  • Adoção de leis e mecanismos para eliminar a caça ilegal da onça-pintada
  • Proibir a venda e aquisição de partes do felino (principalmente de dentes caninos), incluindo comércio online
  • Aumentar o controle e estabelecer uma rede de cooperação nas fronteiras entre estados e países onde a espécie é encontrada
  • Reconhecer a onça-pintada como espécie bandeira das Américas

A caça ilegal de onças-pintadas aumentou devido ao alto preço de seus dentes caninos no mercado asiático – Foto: Domínio público

Para Jessica Gálvez-Durand, diretora de Gestão Sustentável do Patrimônio da Fauna Silvestre do Serviço Nacional Florestal e Fauna Silvestre do Peru (Serfor), instituição que submeteu o projeto, uma resolução aprovada pela Cites unificaria todos os países que fazem parte da Convenção e permitiria ter base legal para apoiar leis nacionais para a proteção da onça-pintada em cada país. “Queremos que a onça-pintada se torne visível para o mundo e que os países onde o comércio ilegal é praticado se juntem a esta campanha para combater o crime organizado”, diz Durand em entrevista para a Mongabay.

Espécie bandeira

A África é a casa dos Big 5, as estrelas dos safáris fotográficos mais desejadas por turistas que visitam o continente (leopardo, leão, elefante, rinoceronte e búfalo). Na maior planície inundável do mundo, alguns hotéis utilizam o termo Big 5 do Pantanal, mas ainda não há um consenso sobre quais seriam os cinco grandes na planície pantaneira. As Américas não possuem uma espécie bandeira (geralmente é um animal que se torna símbolo de uma causa conservacionista). A ideia é que a onça-pintada assuma esse papel para conseguir mais apoio para a conservação do felino e preservar o habitat onde ele vive. Com isso, outras espécies seriam beneficiadas.

Onça-pintada (Panthera onca). Segundo a Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio, a espécie ocorria em todos os biomas brasileiros, mas hoje está extinta nos Pampas, é classificada como criticamente em perigo na Caatinga e na Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável no Pantanal e na Amazônia – Foto: Mario Haberfeld

Status da onça-pintada

Nas décadas de 1960 e 1970, uma das maiores ameaças que a onça-pintada enfrentava era caça devido à sua pele. De acordo com a organização Panthera, pelo menos 18.000 felinos foram mortos a cada ano até 1973. Em 1975, quando a Cites foi instalada, a onça-pintada foi classificada no Apêndice I, que inclui as espécies com maior grau de perigo, cujo comércio internacional é completamente proibido, e continua na mesma categoria até hoje.

Atualmente, a espécie é classificada como quase ameaçada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), mas seu status pode mudar devido às ameaças que a espécie enfrenta: perda de habitat, caça ilegal, tráfico de animais (principalmente para abastecer o mercado asiático com partes de onças) e conflitos com fazendeiros que querem proteger seus rebanhos.

O Onçafari acredita que uma das formas de ajudar na conservação das onças-pintadas é com o ecoturismo – Foto: Edu Fragoso

O território da onça-pintada se estendia dos Estados Unidos até a Argentina, mas ela perdeu mais de 50% de sua distribuição original. Hoje o felino é encontrada em 18 países e considerado extinta em El Salvador, no Uruguai e provavelmente nos EUA. Segundo a Avaliação do risco de extinção da Onça-pintada Panthera onca (Linnaeus, 1758) no Brasil, publicada na revista Biodiversidade Brasileira do  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a espécie ocorria em todos os biomas brasileiros, mas hoje está extinta nos Pampas, e é classificada como criticamente em perigo na Caatinga e na Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável no Pantanal e na Amazônia.

Em novembro de 2018 14 países se uniram para lançar o Jaguar 2030 Conservation Roadmap for the Americas (Plano de Conservação da Onça-pintada para as Américas 2030), um plano regional para salvar a espécie e os ecossistemas onde ela é encontrada. Agora, espera-se que a Cites aprove a resolução apresentada pelo Peru em seu próximo encontro anual e ajude a reduzir as ameaças que pairam sobre o maior felino das Américas.

*Fabio Paschoal é biólogo, jornalista e guia de ecoturismo. Foi editor e repórter de National Geographic Brasil por 5 anos e hoje é produtor de conteúdo do Onçafari e da GreenBond

Comentários

  • Maria Emília Almeida da Cruz torres disse:

    Excêntrico matéria! Parabéns ao Fábio Paschoal por se importar com a preservação da fauna brasileira, em especial, nossos felinos.
    Precisamos ajudá-lo nessa luta, portando essa bandeira em defesa de nosso patrimônio ecológico.
    Saudações cordiais.
    Prof. Dra. Maria Emília Cruz Torres

  • Naira Hossepian S. L. Hojaij disse:

    Parabéns à matéria! Fábio Paschoal contextualiza muito bem o perigo que mais uma espécie sofre, simplesmente porque o Homo sapiens acha q pode fazer o quer com o nosso bioma.

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