Os locais afirmam que ela é o melhor predador … rápido, ágil, forte, silencioso e secreto. A força deste felino é tão reverenciada que tem lugar de destaque a décadas na narrativa de todas as culturas. Na cultura Maia, acredita-se ser o Deus do submundo. Os povos da Amazônia acreditam que o sol criou este gato para representá-los na terra. O gato, claro, é a onça pintada ou Jaguar! Templos e monumentos existem ainda hoje em todas as Américas, em homenagem a este animal. É o predador ápice da América do Sul e Central.

O nome Jaguar vem do antigo termo indiano “Yaguara” que quer dizer “a féra que mata com um ataque súbito” – uma forma adequada para descrever o terceiro maior felino do mundo. O nome científico da onça pintada é Panthera onca, que pode ser traduzido em  ‘caçador’ e ‘gancho’ – uma referência direta às suas garras poderosas. É, quilo por quilo, o gato vivo mais forte de todos e em termos de força da mandíbula em mamíferos ocupa o segundo lugar, apenas atras da hiena.

Track of a female Jaguar

Pegada de onça pintada – Adam Bannister

A década de 1960 foi muito cruel com a onça pintada. Uma explosão na demanda para a pele deste animal espetacular resultou na morte de 15 000 indivíduos somente na Amazônia. Os comerciantes de peles dizimaram a população. Um animal naturalmente tímido forçado a se tornar ainda mais secreto, a fim de sobreviver. A Amazônia ainda suporta um bom numero desses felinos embora a quantidade exata ainda seja desconhecida. A inacessibilidade do terreno e a densa floresta tornam muito difícil a realização de estudos assim como o avistamento dessa criatura maravilhosa.

A única outra região que comporta um número expressivo de onças pintadas no Brasil é o Pantanal: a maior planície alagada do mundo. Esta área tem sido utilizada ao longo dos últimos 200 anos para a criação de gado. Bois pastam nas pastagens verdejantes enquanto peões os movem de acordo com os níveis de água. Aqui, no momento certo, a seca ajuda a tornar as onças mais acessíveis em termos de visualização e estudos.

A female Jaguar at Caiman Ecological Refuge

Onça fêmea no Refúgio Ecológico Caiman – Diogo Lucatelli

Diferentemente da maioria dos gatos, onças pintadas não se encomodam com água, na verdade elas são muito boas nadadoras (uma característica compartilhada com os tigres). E elas tem que ser, já que a água é um componente fundamental da paisagem nos seus dois redutos remanescentes.

Alguém poderia ser facilmente perdoado por confundi-las com os leopardos. Na verdade, em uma rápida olhada, eles são muito semelhantes. Mais para frente, em um outro post, vamos dar uma olhada nesses dois gatos e ver como eles se comparam.
Grandes “rosetas” cobrem seu couro laranja / bronzeado. Algumas onças pintadas apresentam altos níveis de pigmentação preta (melanina) e parecem ser totalmente negras e sem pintas. Mas são da mesma espécie e de acordo com os cientistas esta alteração genética ocorre em cerca de 6% das onças – a Pantera Negra!

Onças pintadas são predominantemente solitárias, utilizando grandes territórios e patrulhando ativamente seus limites. Comparado a muitos outros gatos do mundo, sabemos muito pouco sobre esta espécie. É realmente emocionante estar envolvido em um projeto que está se concentrando nesse trabalho inovador.

A female jaguar, believed to be in the region of 11-13 years old - Adam Bannister

Uma onça fêmea com idade entre 11 e 13 anos – Adam Bannister

O desmatamento, a perda de habitat e a redução de presas naturais são as ameaças mais importantes a sobrevivência das onças pintadas. Para este felino sobreviver, medidas drásticas precisam ser tomadas. Aqui, no Refúgio Ecológico Caiman, o Projeto Onçafari está determinado a fazer a diferença em relação a conservação das onças pintadas. Nós estamos habituando uma população de onças, aqui no Pantanal, de modo que elas possam ser vistas por turistas de dentro  de veículo abertos, um conceito que é muito bem sucedido na África com leopardos, leões, guepardos e outros animais selvagens. Este projeto vai fazer incursões maciças para promover o ecoturismo na região, desenvolvendo essa indústria no Brasil e pretende ajudar a quebrar o estigma negativo e extremamente prejudicial que existe entre os pecuaristas de que onças não podem viver na mesma área que o gado. Queremos mostrar aos proprietários de terras da região, que vale a pena manter as onças vivas. Um conceito onde todos saem ganhando, a natureza, os animais, os proprietários de terra e a população local.

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Por Adam Bannister

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